• Usuária do Tumblr em destaque: Giselli M. Blog: de dentro Primeira publicação: 25 de abril de 2010 Giselli Moreira é a nossa usuária em destaque da semana. Ela é baiana, tem 26 anos e, de um lado, trabalha como fotógrafa em uma assessoria de comunicação; do outro, faz ensaios (principalmente de mulheres) e se dedica à criação dos belos autorretratos que publica aqui no Tumblr.
Boa parte das imagens arquivadas no “De dentro” são autorretratos, quase sempre sensuais, mas nunca vulgares. Qual é o conceito e o objetivo do seu blog? As fotografias permeiam esse caminho da sensualidade, claro, da feminilidade, mas o leitmotiv do “de dentro”, mesmo que às vezes eu me perca nisso, é o corpo num sentido plural: físico, imaginário, entregue, representado, censurado, fragmentado. Não consigo limitar as fotografias a um conceito, já que é exatamente no “não-limite” onde quero percorrer. E se há algum objetivo ou significado por trás do blog, são construídos a partir do olhar de quem observa. A produção de autorretratos implica no acúmulo das funções de modelo e fotógrafa. É mais fácil ou mais difícil tirar fotos de si mesma? É mais difícil exatamente nesse sentido da ubiquidade: ser o olhar atrás da câmera e, ao mesmo tempo, o corpo a ser fotografado. Entretanto, há uma maior liberdade no risco, no movimento, na busca em entender e problematizar a própria imagem (esse fluxo contínuo). O autorretrato é esse jogo entre aquilo que sou, o que sinto e vejo que sou, o que não sou, entre o observador e a imagem, entre esses vários corpos que temos. Você também tira fotos de pessoas, objetos e paisagens ou se dedica completamente ao autorretratismo? O autorretratismo é onde me silencio do mundo, mas há o Outro também que, inevitavelmente, não passa despercebido. Afetam-me, sobretudo, pessoas, gestos, objetos, espaços. E ouso dizer que por dois motivos: neles eu posso implicar o olhar de um modo mais íntimo – seja sugerido ou não – e também porque, muitas vezes, eles me perturbam de tal forma que isso, de modo in-consciente, transpõe-se para o autorretrato. Quais são suas fontes de inspiração fotográfica? Minhas referências vêm muito do que me perturba, não há algo concreto. Nesses cinco anos pensando a fotografia como estudo e trabalho, deixei me afetar, por exemplo, pela poesia “sem forma” da Ana Cristina Cesar; pelas distorções fotográficas do Man Ray; em algum momento, pela crueza da Nan Goldin; pela dor suave de Frida Kahlo e, desde a primeira foto (aquela em que há uma cobra e um corpo), pelo corpo intenso da Francesca Woodman. Nos últimos dias, afetaram-me trabalhos como a da Micaela Knizova (mais ainda a série “Ariel”) e o da Ilana Lichtenstein, no mais recente “Ensaio sem título”. Sempre há algo que me movimenta, e é de fato isso o que eu preciso. Por que escolheu o Tumblr como plataforma para o seu blog? Através do Tumblr eu pude encontrar diversos trabalhos incomuns e que me interessaram como observadora e fotógrafa. Quando acessei pela primeira vez, fiquei fascinada e, sem hesitar, decidi me tornar parte desse lugar. O Tumblr, sem perceber, foi instrumento de aperfeiçoamento do meu olhar e não apenas um blog onde eu pude abrigar as fotografias. Quais são os blogs do Tumblr que você mais gosta? Ah, vários. O Tumblr é uma descoberta quase infinita – ainda bem. Alguns blogs: o da Micaela Knizova; o Imaging, cujo autor ainda desconheço; o blog puro e ácido da artista Laura Makabresku; o da Luciana Urtiga; o do fotógrafo Andy Troc, em todas as cores; o de uma grande amiga e fotógrafa, Bárbara Jardim - com quem divido imagens e silêncios; o do poeta André Tomé e outros tantos que me arrancam suspiros por horas e horas.
Foto: Giselli M.

      Usuária do Tumblr em destaque: Giselli M.
      Blog: de dentro
      Primeira publicação: 25 de abril de 2010 

      Giselli Moreira é a nossa usuária em destaque da semana. Ela é baiana, tem 26 anos e, de um lado, trabalha como fotógrafa em uma assessoria de comunicação; do outro, faz ensaios (principalmente de mulheres) e se dedica à criação dos belos autorretratos que publica aqui no Tumblr.

      Boa parte das imagens arquivadas no “De dentro” são autorretratos, quase sempre sensuais, mas nunca vulgares. Qual é o conceito e o objetivo do seu blog?
      As fotografias permeiam esse caminho da sensualidade, claro, da feminilidade, mas o leitmotiv do “de dentro”, mesmo que às vezes eu me perca nisso, é o corpo num sentido plural: físico, imaginário, entregue, representado, censurado, fragmentado. Não consigo limitar as fotografias a um conceito, já que é exatamente no “não-limite” onde quero percorrer. E se há algum objetivo ou significado por trás do blog, são construídos a partir do olhar de quem observa.

      A produção de autorretratos implica no acúmulo das funções de modelo e fotógrafa. É mais fácil ou mais difícil tirar fotos de si mesma?
      É mais difícil exatamente nesse sentido da ubiquidade: ser o olhar atrás da câmera e, ao mesmo tempo, o corpo a ser fotografado. Entretanto, há uma maior liberdade no risco, no movimento, na busca em entender e problematizar a própria imagem (esse fluxo contínuo). O autorretrato é esse jogo entre aquilo que sou, o que sinto e vejo que sou, o que não sou, entre o observador e a imagem, entre esses vários corpos que temos.

      Você também tira fotos de pessoas, objetos e paisagens ou se dedica completamente ao autorretratismo?
      O autorretratismo é onde me silencio do mundo, mas há o Outro também que, inevitavelmente, não passa despercebido. Afetam-me, sobretudo, pessoas, gestos, objetos, espaços. E ouso dizer que por dois motivos: neles eu posso implicar o olhar de um modo mais íntimo – seja sugerido ou não – e também porque, muitas vezes, eles me perturbam de tal forma que isso, de modo in-consciente, transpõe-se para o autorretrato.

      Quais são suas fontes de inspiração fotográfica?
      Minhas referências vêm muito do que me perturba, não há algo concreto. Nesses cinco anos pensando a fotografia como estudo e trabalho, deixei me afetar, por exemplo, pela poesia “sem forma” da Ana Cristina Cesar; pelas distorções fotográficas do Man Ray; em algum momento, pela crueza da Nan Goldin; pela dor suave de Frida Kahlo e, desde a primeira foto (aquela em que há uma cobra e um corpo), pelo corpo intenso da Francesca Woodman. Nos últimos dias, afetaram-me trabalhos como a da Micaela Knizova (mais ainda a série “Ariel”) e o da Ilana Lichtenstein, no mais recente “Ensaio sem título”. Sempre há algo que me movimenta, e é de fato isso o que eu preciso.

      Por que escolheu o Tumblr como plataforma para o seu blog?
      Através do Tumblr eu pude encontrar diversos trabalhos incomuns e que me interessaram como observadora e fotógrafa. Quando acessei pela primeira vez, fiquei fascinada e, sem hesitar, decidi me tornar parte desse lugar. O Tumblr, sem perceber, foi instrumento de aperfeiçoamento do meu olhar e não apenas um blog onde eu pude abrigar as fotografias.

      Quais são os blogs do Tumblr que você mais gosta?
      Ah, vários. O Tumblr é uma descoberta quase infinita – ainda bem. Alguns blogs: o da Micaela Knizova; o Imaging, cujo autor ainda desconheço; o blog puro e ácido da artista Laura Makabresku; o da Luciana Urtiga; o do fotógrafo Andy Troc, em todas as cores; o de uma grande amiga e fotógrafa, Bárbara Jardim - com quem divido imagens e silêncios; o do poeta André Tomé e outros tantos que me arrancam suspiros por horas e horas.

      Foto: Giselli M.